terça-feira, 12 de junho de 2007

Enquanto a parábola não vem...

Nas últimas semanas, estive flertando com Nietzsche... Doutrina do eterno retorno... no fundo, um critério de seleção dos momentos de nossas vidas que valem ou não a pena serem vividos... Refletir sobre a vida, fugir das falsas aprências e das meias medidas, de todas as covardias... Com o fim último de fugir das minhas covardias, republico-me... Por favor, covardia! Agora canta pra subir!

Meus Quereres

Queria ter um melhor entrosamento com as palavras. Queria saber com melhor arrumá-las, como encadear preposições, conjunções, locuções, substantivos, adjetivos... Queria, sobretudo, saber construir versos, quem sabe estrofes inteiras. Um sonetinho 4-4-3-3 já estaria de bom tamanho. Queria idéias criativas, originais e não clichês batidos e lugares comuns que insitem em povoar meus pensamentos. Infelizmente, inspirações deste tipo só ocorrem aos grandes, aos que conseguem, por meio dos dedos que tocam as teclas do teclado, tocar a face de Deus.

Queria, acima de tudo, não soar piegas, embora reconheço que seja díficil cumprir tal tarefa quando falamos das coisas do coração - viram, uma expressão piegas acabou de escapulir. "Coisas do coração", onde já se viu... Queria, também, não parecer demasiado malancólico, como Álvares de Azevedo. Sua tez alva não me remete a morbidade, antes me preenche com o sopro de vida que emana de seu fascinate colo. Queria afastar, desde agora, a impressão de que tenho uma obsessão doentia por ela. Não a coloco em um pedestal de adoração religioso. Apesar de não conhecê-los, sei que tem defeitos, que é feita de pele, ossos e sentimentos, como eu. Ah, mas faria o possível e o impossível para conhecer esse eu dela cheio de imperfeições, que deve ser tão ou mais apaixonante que o eu de uma austeridade doce que desvelou-se diante de mim em nosso contado superficial.

Mesmo consciente de minha condição de gentio, queria ter a fibra de grandes personagens históricos, que com paixão em seus corações, lançavam-se contra todas e quaisquer convenções e tradições caducas, fazendo a roda do mundo girar, o futuro bater em nossas portas. Correndo o risco de, aos olhos dela, parecer um inconveniente e petulante, queria que essas mal traçadas linhas alcançassem seus olhos, tocassem de alguma forma seu coração. Queria que essas palavras ressossem por este vasto mundo virtual e encontrassem acolhida nos únicos olhos azuis que tem o poder de deixar minha respiração em suspenso. Queria...

sábado, 9 de junho de 2007

Da Série: "Parábolas de il padrino"

Nona entrada... Parte de baixo... 5 a 4 contra no placar... Bases lotadas... Sua vez no bastão, a contagem marca 3 bolas e 2 strikes. Hora de separar os homens dos meninos. Lá vem uma bola rápida bem no meio da zona de strike... Por mais que o lançador dissimule, não há outra alternativa... Você sabe, ele sabe, as parades do estádio sabem... Definitivamente a boa e velha bola rápida!

É seu momento! É sua hora! Não fez nada a noite inteira, não teve chance, mas essa agora não vai-lhe escapar! Em menos de cinco segundos é o Olimpo dos deuses ou a porta dos fundos da história! Em menos de cinco segundos, para o bem ou para o mal, deixa-se uma marca indelével na vida de todos e cada um que neste momento prendem contigo a respiração. A fragância de eternidade salpicada por uma agridoce de fracasso é inebriante. Não há no mundo lugar melhor para estar!

É só defender a zona de strike e tentar uma rebatida simples, certo? "Certo" diriam vocês, mas não consideraram que quem estava no bastão é aquele que ora produz essas mal traçadas linhas... Minha inata e - por que não? - extraordinária capacidade de desperdiçar opotunidades toma conta do sistema em um momento como esse... Em lugar de um reles swing, provavelmente esboçarei apenas um sorriso amarelo e um frio comprimento com as mãos... A mágica está ali, dá para sentir, mas simplesmente não acontece!

Lições? A mesma de sempre... Nunca olhe nos olhos, nem que seja por míseros cinco segundos... Ah, esses devastadores cinco segundos!